aulona de manutenção

 
 

cuidado antes mesmo de comprar

se a etiqueta interna da peça orienta um tipo de lavagem que a gente acha caro, ou difícil de fazer acontecer, ou demandando muita disposição... então é melhor nem tirar a roupa da loja. é bom que a gente tenha em mente o tipo de cuidado que já opera em casa (usa máquina de lavar, máquina de secar? já tem rotina de lavar algumas coisas à mão? tem costume de levar peças pra lavandeira?) e então conferir se esses hábitos são compatíveis com as demandas de cuidado da peça.

tem aqui um guia simples, completo e explicativo pra entender os símbolos das etiquetas, ó! 


 

tirar manchas antes de lavar a roupa

é com água fria que se tira manchas, e quanto mais rápido mais fácil: quanto mais tempo a sujeira fica na roupa, mais ela gruda. vale passar rapidex no banheiro, tirar a peça, botar na torneira fria e tentar já dissolver a sujeira ali mesmo, na hora. diz que passar gelo na mancha quebra as moléculas da sujeira – e que a água quente fixa ainda mais a mancha na roupa (oh no!). se só água não for suficiente, vale sabão de côco numa primeira tentativa e, se a mancha persistir, uma segunda tentativa com detergente (de cozinha mesmo) diluído em água fria pode ajudar.

esfregar não é legal, mas se for preciso (alô sovaquinhos), é bom ter uma escovinha de dentes separada pra isso e então fazer com a maior delicadeza que se conseguir. imagina trocar a mancha por um pedaço desbotado de roupa por conta do esfrega-esfrega? é pra fazer carinho na roupa!

pra manchas de óleo ou gordura, a estilista flavia aranha compartilha um passo-a-passo certeiro:

-colocar uma pequena quantidade de talco sobre a mancha o mais rápido possível, pra que ele absorva a gordura;
-virar a peça do avesso e passar o ferro no local;
-a gordura vai ser transferida pro talco, que vai virar uma pasta – daí é tirar essa pasta com delicadeza, sem esfregar.


 

desodorante de roupas

quanto menos a gente lava a roupa, mais ela dura. se a roupa não pegou cheirinho de suor, não manchou com nada, não tá super suja... dá pra usar de novo antes de lavar, ó: tirando a roupa depois do uso, vale pendurar do lado avesso num cabide e deixar a peça “refrescar” de um dia pro outro antes de devolver pro guarda-roupa. tem um desodorante de roupas que pode ajudar nessa refrescância e fazer com que o uso se estenda ainda mais, ó a fórmula pra fazer em casa:

-100 ml de água
-200 ml de álcool 70
-200 ml de vinagre de vinho branco

essa receita é da ingrid lisboa e o roupa livre vende prontinho, num frasco lindo com lavanda junto pra dar um cheirinho. <3 ter um conjunto de peças que componham um ‘guarda-roupa de ficar em casa’ também ajuda a preservar as roupas mais especiais – pra gente chegar em casa, acessar essa gaveta do conforto, já botar a roupa do dia pra se refrescar no cabide e só então preparar o jantar, terminar de cuidar da vida, etc etc etc.


 

lavar peças delicadas à mão

deixar a peça de molho (por vinte minutinhos apenas, com um tantinho de sabão de côco ralado ou líquido dissolvido na água) pode ajudar a sujeira a desgrudar sem esforço algum – e aí é só enxaguar umas duas vezes e tirar o excesso de água apenas pressionando a roupa, nunca torcendo ou fazendo muita força. pode ser até amassando a peça dentro de uma toalha (imagina ter na área de serviço uma de rosto, clarinha, só pra isso!). vale também entrar com a peça no banho (especialmente pra quem topa tomar banho frio, rs) e ter no box um quadradinho de sabão de côco pra lavar a roupa no chuveiro.


 

na máquina de lavar

água fria funciona super bem pra tudo, e é sempre a melhor opção: na água quente o algodão pode soltar tinta, tecidos sintéticos podem encolher/deformar, as tramas dos tricôs e malhas podem ceder. é bom preparar as peças antes de lavar, e esvaziar bolsos, fechar zíperes, desdobrar mangas e barras. também é massa separar as lavagens em turnos: roupas claras, roupas escuras e roupas coloridas formam três grupos que não deviam se misturar na máquina ou no molho.

diz que a gente precisa só de metade das quantidades recomendadas de produtos pra usar na máquina de lavar, sabia? e que os sabões em pó podem deixar a roupa durinha (com resíduos deles mesmos) e que os amaciantes típicos do mercado são potenciais estragadores de máquinas. é providencial testar quantidades menores de tudo e procurar produtos com menos ingredientes – ou substituições mais saudáveis e beeem mais baratas. tem no blog Um Ano Sem Lixo uma receita fácil de sabão líquido natural, que custa R$ 5 e dura mais de um mês \o/ clica pra conhecer, anima pra testar!

(tem também as ecoballs, já ouviu falar?)

os módulos mais simples e mais rápidos de centrifugação da máquina funcionam bem pra tudo: atrito demais pode desgastar tecidos, desbotar cores e lavagens, fazer aparecer bolinhas e deformar costuras. e quanto menos superlotada a máquina estiver, menos comprimidas (e, por consequência, menos amassadas) as roupas vão ficar. ;-)

direto no lugarzinho do amaciante, sem diluir nem nada: pode confiar que usar vinagre pra enxaguar as roupas vai funcionar ainda melhor que o produto tradicional, o cheiro não vai pegar na roupa, os amassados vão sair mais relaxados e passar vai ser mais fácil.

(peças pregueadas ou plissadas podem ser lavadas na máquina, com um cuidado extra: alianhavar bem grandão as pregas e só soltar o alinhavo depois delas secas e passadas! ;-)


 

menos pregador de roupa, mais cabide no varal

varal bom é varal instalado onde tem ventilação boa, mas sem luz do sol batendo direto nas peças, viu!

roupa feita em tecido plano (que não estica) pode sair da máquina de lavar e ir pro varal pendurada em cabide, bem esticadinha pra precisar passar menos, ou nem precisar de ferro. peças feitas em tricô ou malha (que esticam) ficam deformadas quando penduradas em cabides – melhor deitar as peças sobre as cordinhas do varal pra que elas sequem na horizontal.

pregadores de roupa podem marcar peças e fazer ceder as fibras do tecido com o aperto/atrito – se não for o caso de usar cabides, melhor dobrar a peça na própria cordinha do varal pelo meio, sem precisar usar o pregador. *não uso na minha casa e não aconselho cliente alguma a usar, se há opção: máquina de secar. pra roupa de cama, mesa e banho, tudo bem – mas pras nossas roupinhas preciosas, melhor não!

quem não usa varal ou máquina de secar pode reservar um espacinho no próprio guarda-roupa pra pendurar as peças úmidas e deixar aporta aberta durante a noite – e de brinde o quarto fica bem cheirosinho.


 

ferro não tão quente

as etiquetas com os símbolos de cuidados tem que ser especialmente levadas a sério na hora de passar a roupa. de regra, tecidos sintéticos (misturas com acrílico, poliéster, poliamida, etc) devem ser passados em temperaturas amenas; tecidos naturais (algodão, lã, linho e seda) podem ser passados em temperaturas mais altas – mas nunca mega quentes. o que conta pra passar direitinho é peso + movimento, a quentura só auxilia. ;-)

é bom ter um pano de prato ou uma fralda (ou tecido e algodão bem liso) pra proteger as roupas da quentura do ferro de passar – mesmo se o ferro tem proteção anti-brilho. assim, com o pano esticadinho sobre a roupa, o ferro não marca e a gente tem mais garantia de não queimar peça alguma. mesmo com esse cuidado, toda roupa (eu disse toda!) pode ser passada pelo lado avesso, sempre vestida na tábua (pra não marcar detalhes em relevo – não queremos marcas de gola na parte das costas da blusa, nénão?).

é bom começar a passar a peça pelas partes menos aparentes, indo pras partes que ficam mais à mostra. olha a camisa como exemplo: a gente começa a passar pelos punhos, vai pras mangas, passa os ombros e o colarinho, e só no fim passa as costas, pra terminar na frente. 

e quando a peça tem um relevão, tipo bordado ou renda, dá pra vestir uma toalha dobrada por dentro da roupa e passar o ferro assim, com o volume dando suporte pro ferro. esse mesmo volume serve também pra passar mangas, que nunca precisam ter vincos: quem não tem aquela mini-tábua pra passar mangas pode dobrar a mesmo toalha, segurar o volume lá dentro com uma mão e passar a manga com a outra.

muito bom de ter em casa: steamer portátil, do pequenino mesmo! pra desamassar sem pressionar, na delicadeza do vapor mas com eficácia de ferro.


 

como guardar

tecido que não estica pode ser pendurado em cabide; tecido que estica precisa ser guardado dobrado, em gavetas ou prateleiras. se for pra pendurar essas peças, melhor dobrar uma vez na altura e pendurar dobradas ao meio sobre a parte reta do cabide. tem também um jeito malandro de dobrar tricôs, com o cabide encaixando no sovaquinho da peça, passando o corpo pra um lado e as mangas pro outro.

os cabides que menos machucam as roupas são arredondados e tem pelo menos 1cm de espessura – esses finíssimos de veludo ou de lavanderia podem render bicos nos ombros das peças. e né, tem cabides com ombros ou reforços pras peças que precisam de mais suporte nas suas formas, tipo paletós e vestidos de festa.

mofo, bolor e ‘marcas de guardado’ adoram um guarda-roupa superlotado, com muita roupa junta, tudo empurrando tudo. é melhor conseguir alguma folguinha entre os cabides (ter mais do que cabe no espaço físico é um alarme!) e, todos os dias, deixar as portas do armário abertas por umas duas horas – pra ventilar e deixar as peças respirarem.

se for o caso de acomodar vestidos ou peças especiais em capas, que sejam capas feitas de tecido com trama bem aberta ou em TNT (o mesmo material dos saquinhos de lojas de sapatos, todo furadinho e ventilado). capas ou sacos plásticos abafam as peças e os acessórios, e quaisquer bactérias ou fungos que eventualmente estejam por ali ganham um ambiente quentinho, isolado e gostoso pra crescer e tomar conta de tudo... não queremos isso, né!

bolsas e sapatos precisam ser guardados com um mínimo de ordem: couro com couro rende arranhões, deforma as peças e deixa a sujeira passar de uma pra outra. e um truque: se a chuva pegar bolsa ou sapatos, vale encher tudo com jornal amassadinho quando chegar em casa e deixar assim durante a noite – o jornal suga a umidade em excesso e ainda garante a forma das peças.