se reconhecer pra se conectar

li isso daqui num texto sobre uma pessoa que largou as redes sociais ~como se larga as drogas, rs~:

“conquistar a segurança de ser quem a gente é e das conexões que a gente cria (na vida) pode começar com uma percepção bem simples de onde a gente tá. onde eu estou AGORA? quem tá comigo? como eu me sinto? como eu me sinto em relação a esse entorno, essas pessoas? o que eu quero fazer?

se permitir perceber e ABRAÇAR essas coisas pode ser poderoso. isso é o oposto de transformar nossos smartphones em maquininhas de correção, apagamento, ajuste e saturação com que a gente exaustivamente edita a própria vida — no lugar de ver a vida acontecer (com nossos próprios olhos) e processar essa vida com emoção, no coração mesmo."

traduzi muito livremente… e fico achando que essa percepção, esse olhar carinhoso pro que já existe e já tá em volta da gente é um exercício de abundância — antídoto pra escassez de olhar pra longe, pra outras vidas e outros feeds, querendo algo distante ao mesmo tempo em que se abre mão de recursos/ideias/possibilidades disponíveis e ainda não percebidas. olhar muito pra fora da gente mesma rende comparação, idealização, falso senso de uma perfeição possível, apequenamento. e a gente sabe (todo mundo sabe!) que olhar pra dentro, procurar valor em si e enxergar potencialidades ancestrais (herdadas ou aprendidas) pode render força emocional, auto-respeito e auto-admiração, segurança, confiança, menos confusão e mais escolhas acertadas (em tudo na vida).

Design sem nome-5.jpg

mas né, a gente tem que proativamente se colocar nesse exercício, disponibilizar tempo e atenção pra gente mesma, procurar querendo encontrar — fora do “padrão”, do que é sugerido pela propaganda, do que é massificado, artifical, manipulado pra parecer perfeito.

;-)

valendo pra moda: o que a gente já tem e o que isso já proporciona de sensação, de exercício de criatividade, de reinvenção e expansão de olhares? 

-tem como fazer render no fim de semana alguma peça que só vem sendo usada no trabalho?
-tem como se inspirar em decoração e arquitetura pra coordenar cores num look?
-tem como coordenar peças homenageando personagens favoritos de filmes? <3
-tem como montar um look inteiro em cores neutras e pontuar com acessórios coloridões?
-tem como juntar tantas texturas diferentes quanto for possível  numa mesma coordenação?

não precisa ficar perfeito como as imagens idealizadas da mídia se apresentam, mas pode render muita satisfação (e isso é o que enriquece experiência humana! satisfação — que vem de autonomia!). esses exercícios encontram espaço pra acontecer assim, nesse pensamento: a gente se reconhece, reconhece o ambiente em que está (e onde quer estar) e então interage diferente com o que já existe, e se conecta com a gente mesma — com vontades autênticas e referências ultra pessoais. 

<3

vale demais pra internet também: quando a gente se conhece (se assume! com nossas vontades e demandas, independente de expectativas quaisquer) e estuda o ambiente em que quer fluir/conversar, fica mais certeiro interagir e se conectar de verdade — através da máquina, mas com o coração. sem precisar ser especialista em foto, sem precisar ganhar prêmio de redação (uma redação quase publicitária essa que a gente vem praticando na rede social, né), sem precisar angariar zilhões de seguidores — quem quer se conectar com o que a gente compartilha já tá perto da gente, já existe!

esse me parece um bom exercício: trocar o cansaço da manipulação da imagem pela energia de abraçar a vida sem edição, sem app de corrigir pele (rs), sem qualquer ostentação posada, de mentirinha — e viver a melhor vida real que a puder viver ;-) pra depois compartilhar e então se perceber, se conectar, sentir, sorrir.