se reconhecer pra se conectar

li isso daqui num texto sobre uma pessoa que largou as redes sociais ~como se larga as drogas, rs~, no medium:

“conquistar a segurança de ser quem a gente é e das conexões que a gente cria (na vida) pode começar com uma percepção bem simples de onde a gente tá. onde eu estou AGORA? quem tá comigo? como eu me sinto? como eu me sinto em relação a esse entorno, essas pessoas? o que eu quero fazer?

se permitir perceber essas coisas e ABRAÇAR essas coisas pode ser poderoso. isso é o oposto de transformar nossos smartphones em maquininhas de correção, apagamento, ajuste e saturação com que a gente exaustivamente edita a própria vida — no lugar de ver a vida acontecer (com nossos próprios olhos) e processar essa vida com emoção, no coração mesmo."

traduzi muito livremente… e fico achando que essa percepção, esse olhar carinhoso pro que já existe e já tá em volta da gente tem mais a ver com abundância — muito mais do que com a escassez de olhar pra longe, pra outras vidas e outros feeds, querendo algo distante ao mesmo tempo em que se abre mão de recursos/ideias/possibilidades disponíveis e ainda não percebidas.

valendo pra moda: o que a gente já tem e o que isso já proporciona de sensação, de exercício de criatividade, de reinvenção e expansão de olhares? 

-tem como montar um look de frio com uma peça de calor? (alô sobreposições!)
-tem como fazer render no fim de semana alguma peça que só vem sendo usada no trabalho?
-tem como se inspirar em decoração e arquitetura pra coordenar cores num look?
-tem como coordenar peças homenageando personagens favoritos de filmes? <3
-tem como montar um look inteiro em cores neutras e pontuar com acessórios coloridões?
-tem como juntar tantas texturas diferentes quanto for possível  numa mesma coordenação?

não precisa ficar perfeito como as imagens idealizadas da mídia se apresentam, mas pode render muita satisfação (e isso é o que enriquece experiência humana! satisfação que vem de autonomia!). esses exercícios encontram espaço pra acontecer quando a gente se reconhece, reconhece o ambiente em que está (e onde quer estar) e então interage diferente com o que já existe, e se conecta com a gente mesma — com vontades autênticas e referências ultra pessoais. 

<3

valeria pra internet também: quando a gente se conhece e estuda o ambiente em que quer fluir/conversar, fica mais certeiro interagir e se conectar de verdade. através da máquina, mas com o coração.